GDT e CRC/ES reúnem grandes nomes e empresas para discutir a Reforma Tributária na prática
Encontro com representantes da Petrobras, Duty Free, Grupo Soma e INFIS colocou o Espírito Santo na rota dos grandes debates nacionais sobre a preparação das empresas para o novo sistema tributário
Representantes da Petrobras, da Duty Free, do Grupo Soma e da INFIS Consultoria se reuniram com especialistas de projeção nacional e integrantes da administração tributária em Vitória para discutir como as empresas estão se preparando para a Reforma Tributária. O encontro aproximou advogados, contadores e administradores capixabas das decisões e dos ajustes que já mobilizam grandes organizações.
Realizado em 27 de outubro, no auditório do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo (CRC/ES), o evento “Reforma Tributária na Prática” foi promovido pelo Grupo de Debates Tributários (GDT), em parceria com o Conselho e seu Grupo de Estudos Técnicos Tributários (GETT).
Da formação de preços à revisão de contratos, da emissão de notas fiscais ao planejamento financeiro, a programação mostrou como as mudanças na tributação se conectam ao funcionamento dos negócios. Ao reunir profissionais que participam da construção do novo sistema e aqueles que acompanham sua implementação nas empresas, o encontro trouxe ao Estado diferentes perspectivas sobre os desafios da transição.
Para o presidente do GDT, Victor Marques, essa aproximação foi o principal propósito do evento.
“Saímos do evento com o sentimento de dever cumprido. Conectamos o debate técnico à realidade do setor produtivo, reunindo grandes nomes do cenário nacional e representantes de empresas de destaque para compartilhar experiências e oferecer a advogados, contadores e administradores uma visão prática dos desafios da Reforma Tributária. A parceria com o CRC/ES fortalece a missão do GDT de transformar conhecimento em preparação para as mudanças”, afirmou.
A reforma pela perspectiva de quem está nas empresas
Um dos destaques da programação foi o painel “2027: impactos estratégicos na operação das empresas”, com Victor Pace, da Petrobras; Ana Carolina Froes, da Duty Free; Eduardo Diniz Pontes, da INFIS; e Luiz Felippe Nunes, do Grupo Soma.
A presença desses profissionais trouxe diferentes perspectivas sobre a adaptação de operações empresariais complexas. O Grupo Soma reúne marcas conhecidas do público, como Animale, Carol Bassi, CRIS BARROS, FARM Rio, Fábula, Foxton, Maria Filó, NV e Reserva, entre outras. Já a INFIS atua com consultoria, inteligência fiscal e serviços de alta complexidade para grandes empresas.
O painel aproximou os participantes dos desafios enfrentados por quem precisa transformar as novas regras em procedimentos dentro das organizações. A preparação envolve a integração entre equipes, a revisão de sistemas e controles e a avaliação dos efeitos das mudanças sobre as decisões de negócio.
Para Eduardo Diniz Pontes, sócio-fundador da INFIS Consultoria, a diversidade de experiências foi um diferencial da programação. “Nada substitui a troca entre quem está vivendo a implementação na prática”, afirmou.
Segundo ele, o auditório cheio e o entusiasmo dos participantes demonstraram a demanda por esse tipo de discussão. “É ele que ajuda empresas e profissionais das áreas contábil e fiscal a saírem do campo da teoria e a se prepararem para a Reforma Tributária nos próximos anos”, destacou, referindo-se ao debate promovido pelo encontro.
Para os profissionais que assessoram empresas, o contato com essas experiências ampliou a oportunidade de identificar dificuldades, antecipar providências e compreender como organizações de diferentes setores estão conduzindo a transição.
Segurança jurídica: como evitar respostas diferentes para a mesma operação?
O primeiro painel reuniu João Nuske, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); Henrique Valentim, do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS); Alexandre Fiorot; e Victor Marques, advogado tributarista e presidente do GDT.
O debate tratou da harmonização entre a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), os dois novos tributos sobre o consumo que compõem o chamado IVA Dual brasileiro.
Por trás das siglas está uma preocupação concreta para as empresas: como garantir que uma mesma operação receba tratamento coerente pelas diferentes autoridades responsáveis pelos tributos?
As discussões abordaram os riscos de interpretações conflitantes e os caminhos para construir maior integração entre as estruturas de administração e julgamento. O objetivo foi relacionar a organização do novo sistema à segurança de quem precisa tomar decisões, cumprir obrigações e planejar suas atividades.
Essa conexão entre conhecimento especializado e aplicação profissional também foi destacada pelo presidente do CRC/ES, Walterleno Noronha.
“O contador ocupa posição central na Reforma Tributária, seja na orientação das empresas, seja na segurança das informações que sustentam as demonstrações financeiras”, afirmou.
Para ele, a diversidade de participantes reforça o compromisso institucional com a capacitação. “Reunir, em um mesmo auditório, representantes da administração tributária, do setor produtivo e da própria contabilidade, para debater a harmonização da CBS e do IBS, os impactos a partir de 2027 e o fim dos incentivos de ICMS, é exercer, com transparência e excelência, a missão de zelar pelo desenvolvimento da profissão e pela proteção do interesse público”, destacou.
Da nota fiscal ao dinheiro disponível em caixa
A programação também levou o debate às rotinas dos escritórios e departamentos fiscais. Gisleise Nogueira e Renata Santana abordaram a apuração assistida da CBS, modelo em que informações são apresentadas pelo Fisco para conferência e ajustes pelo contribuinte.
As apresentações destacaram a importância de revisar cadastros, conferir documentos e conciliar os dados dos sistemas de gestão com os registros financeiros. O painel evidenciou como a qualidade das informações e a organização dos processos serão decisivas para identificar inconsistências e evitar retrabalho.
Na programação da tarde, Fernando César da Cunha Mattos e Mauro Jacob discutiram os efeitos da CBS e do IBS na contabilidade e nas demonstrações financeiras. Entre os assuntos estiveram reconhecimento de receitas, estoques, revisão de contratos, formação de preços e planejamento financeiro.
Também foram abordados os reflexos do split payment, mecanismo de separação do valor do tributo no pagamento de uma operação, sobre o fluxo de caixa das empresas. Na prática, a discussão envolve compreender como essa sistemática pode afetar os recursos disponíveis para financiar as atividades do negócio.
Para o professor Fernando Mattos, um dos méritos do encontro foi abrir espaço para abordagens aprofundadas, capazes de “ir além da apresentação das novas regras e estimular uma compreensão crítica de seus efeitos”.
“Discutir a Reforma Tributária é também refletir sobre planejamento, adaptação e responsabilidade profissional”, afirmou. Ao avaliar a iniciativa, ele destacou a conexão entre conhecimento técnico, visão estratégica e aplicação prática como um caminho para orientar decisões com maior segurança.
O professor também ressaltou o papel da formação permanente nesse processo. “Iniciativas como essa fortalecem a troca de experiências e reafirmam a importância da educação continuada como instrumento de qualificação profissional e de construção de respostas aos desafios da transformação tributária”, declarou.
Os temas mostraram como a reforma alcança decisões que vão além do cálculo de impostos e exigem diálogo entre contabilidade, jurídico, tecnologia, finanças e gestão.
Um olhar para a economia capixaba
O encerramento foi dedicado a uma questão especialmente relevante para o Espírito Santo: o fim dos incentivos de ICMS e os desafios da transição.
O painel contou com Victor Seabra, da Secretaria de Desenvolvimento do Espírito Santo (Sedes/ES); Pedro de Sá, subsecretário de Desenvolvimento do Estado; e Kaiser Motta, Vice-Presidente do GDT.
Foram discutidos o fundo de compensação, a segurança jurídica e os riscos de judicialização. Para empresas que estruturaram suas atividades considerando os incentivos estaduais, o tema exige planejamento e acompanhamento dos efeitos das mudanças sobre os negócios.
Ao trazer essa perspectiva regional, o evento conectou a transformação nacional às particularidades da economia capixaba e às preocupações dos profissionais que atuam no Estado.
O presidente do CRC/ES agradeceu aos palestrantes, parceiros e participantes e destacou a continuidade do trabalho de preparação da categoria. “Seguiremos ao lado da categoria, com escuta atenta e proximidade, para que cada contador e cada contadora capixaba esteja preparado para esse novo tempo”, afirmou Walterleno Noronha.
Com experiências de grandes empresas, discussão jurídica e orientações para a rotina profissional, o encontro ofereceu aos participantes a oportunidade de acompanhar, em Vitória, diferentes dimensões de uma transformação que já exige decisões. A preparação para a Reforma Tributária ganhou, assim, exemplos concretos, interlocutores e uma conexão direta com a realidade dos negócios nacionais.

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